Botulismo bovino (doença da vaca caída)

Botulismo bovino (doença da vaca caída)
O botulismo bovino, ou “doença da vaca caída'' como é conhecido popularmente. É uma intoxicação caracterizada por paralisia da musculatura esquelética.  É um dos fatores que gera grandes perdas econômicas na bovinocultura devido a quantidade de animais do rebanho que podem ir à óbito anualmente, causando sérios prejuízos aos produtores. Além de que o tratamento de um rebanho acometido pela enfermidade apresenta um alto custo.

Etiologia
A bactéria bastonete anaeróbia gram positiva, Clostridium botulinum é a responsável pelo botulismo. Ela é encontrada normalmente na microbiota intestinal e fezes dos animais, apresenta a capacidade de se manter viável por longos períodos de tempo em solos e matérias orgânicas quando em sua forma resistente, os esporos. 

Em meio favorável para sua proliferação, ou seja,  na ausência do oxigênio estas podem produzir toxinas. Existem oito tipos de toxinas botulínicas A, B,C1, D, E, F e G. Em bovinos, as principais responsáveis pela paralisia são a C e D. A toxina tem ação neurotrópica, sendo a única com característica letal por ingestão.

Patogenia
A toxina é ingerida e absorvida de forma intacta, mas ganha a circulação sanguínea após passar pelo sistema porta - hepático e com isso alcançam as placas motoras onde se alojam e impedem a liberação de acetilcolina provocando a paralisia flácida. Após o animal ir a óbito, o microorganismo migra do trato digestório para o interior da medula óssea onde encontra um ambiente favorável para produzir suas toxinas.

Animais criados em sistema extensivo podem ser mantidos em pastagens com deficiência de solo e com isso apresentarem o hábito de osteofagia (ingestão de ossos) na tentativa de suprir a deficiência do mineral e com isso ficam suscetíveis a intoxicação. A enfermidade apresenta um aspecto sazonal, ocorrendo com maior frequência no verão durante os períodos chuvosos. Pode acometer um animal de forma isolada ou vários animais ao mesmo tempo, como em um caso de intoxicação por ingestão de alimentos ou água contaminada.

Sinais Clínicos
O tempo entre a intoxicação até o aparecimento dos primeiros sintomas depende da quantidade de toxina que foi ingerida pelo animal. Os sinais clínicos são a paralisia progressiva que geralmente se inicia pelos membros posteriores, os animais apresentam dificuldade de locomoção, andar cambaleante, com a tendência de se deitar o que acentua e agrava o quadro. 

Os animais têm o seu estado mental aparentemente normal, com diminuição do tônus da musculatura da língua e o cauda que causa a diminuição de sua movimentação, sialorréia, dificuldade respiratória e paralisia cardio-respiratória que leva o animal a óbito.

Diagnóstico
O diagnóstico presuntivo é feito com base no histórico e quadro clínico apresentado pelo animal. O médico veterinário também deve verificar o protocolo vacinal dos animais da propriedade e no caso de criação extensiva, analisar a propriedade como um todo em busca de carcaças nas pastagens e hábitos de osteofagia no rebanho.

O diagnóstico diferencial é feito por meio da soroneutralização em camundongos. Há diferentes enfermidades neurológicas que podem acometer os bovinos que devem ser levadas em consideração, como a raiva. A toxina não gera lesões macroscópicas que poderiam ser avaliadas em um exame necroscópico, pois ela apenas se aloja nas placas motoras.

Tratamento
Não existe nenhum fármaco antagonista que neutralize os efeitos neuroparalíticos da toxina botulínica. O soro antibotulínico atua nas toxinas que ainda não se fixaram no sistema nervoso central, e a nível de rebanho se torna inviável devido ao elevado custo, sendo necessário o uso de 40 ampolas do soro para cada animal. 

Prevenção & Controle
Por isso a prevenção é a melhor opção para ser implementada na propriedade. As pastagens devem ser inspecionadas rotineiramente, é importante remover os cadáveres dos animais que se encontram nas pastagens e descartá-los de forma adequada, podendo estes ser enterrados onde os outros animais não tenham acesso ou incinerados.

A concentração de fósforo das pastagens pode ser analisada para verificar se há a necessidade de suplementação do mineral. Atualmente existe a vacina contra botulismo que pode ser incluída no protocolo vacinal dos animais. Além disso, é importante estar atento à procedência dos grãos, que devem ser armazenados em ambiente limpo, ventilado, que não permita a entrada de animais sinantrópicos como os roedores. 

Fontes:
DUTRA, Iveraldo, S. et al. Surtos de botulismo em bovinos no Brasil associados à ingestão de água contaminada. Disponível em:<https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-736X2001000200002. Acesso em: 10/12/2020.

DÖBEREINER, Jürgen; DUTRA, I. O botulismo dos bovinos e o seu controle. Disponível em:<https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/627825/o-botulismo-dos-bovinos-e-o-seu-controle. Acesso em: 10/12/2020.

DUTRA, Iveraldo, S. et al. Botulismo em bovinos de corte e leite alimentados com cama de frango.  Disponível em:<https://www.scielo.br/pdf/pvb/v25n2/a09v25n2.pdf. Acesso em: 10/12/2020.

ANDRADE, Gabriel Ninin Xavier et al. Botulismo em bovinos, descrição da doença e seu impacto na economia.  Disponível em:<http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/GYP7nDovaaowoP9_2013-5-20-12-7-34.pdf. Acesso em: 10/12/2020.


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Tamires Lima
Tamires Lima

Estudante de medicina veterinária, apaixonada por animais e que atualmente trabalha na equipe técnica e de relacionamento com os clientes da Univittá Saúde Animal.

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