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Pomada Barbatimão e a cicatrização de feridas

Pomada Barbatimão e a cicatrização de feridas
Algum dia já ferveu a casta do barbatimão para banhar feridas? Nativa da região do cerrado brasileiro: MG, GO, BA, SP e MS, o barbatimão ou ainda barba-de-timão é uma espécie de planta de troco tortuoso e casca rugosa espessa de cor clara que tem especial interesse pela indústria do couro por conter tanino e para indústria cosmética medicinal.

O barbatimão é uma das plantas medicinais mais usadas em todo Brasil e no exterior, onde em estudos publicados em 2007 concluiu que seu extrato reduziu a sensação de dor e apresentou-se como alternativa contra microrganismos Staphylococcus aureus.

Muito além do tanino, abundante em sua casca, o barbatimão possui também alcalóides, amido, flavonóides, pró-antocianidinas, matérias resinosas, mucilaginosas, corantes e saponinas. Taninos são substâncias fenólicas solúveis em água e formam complexos insolúveis em água com alcalóides, gelatinas e outras substâncias. Existem três propriedades gerais dos taninos que são responsáveis pela maior parte das atividades farmacológicas, agindo na formação de complexos com íons metálicos, a atividade antioxidante e sequestradora de radicais livres e a habilidade de formar complexos com outras moléculas tais como proteínas e polissacarídeos (SANTOS et al., 2002; FONSECA e LIBRANDI, 2008; SOARES et al., 2008).

USO DO BARBATIMÃO COMO CICATRIZANTE

Eurides et al. (1995/1996) avaliaram a reparação tecidual de feridas cutâneas de camundongos tratados com uso tópico diário com 0,1 mL de solução aquosa de barbatimão. Nas feridas tratadas não houve formação de exsudato purulento, enquanto no grupo controle foi observado a formação de pus no 14º dia de pós-operatório. A solução de barbatimão induziu maior resposta inflamatória, o que facilitou a reparação tecidual mais rápida; favoreceu o maior desenvolvimento de granulação, contribuindo para a reepitelização da área, permitindo a reparação da ferida no 19° dia de pós-operatório (EURIDES et al., 1995/1996).

Efeitos semelhantes foram observados por Coelho et al. (2010), que avaliaram o efeito do tratamento de feridas cutâneas em ratos com exposição da fáscia muscular do membro posterior direito, utilizando pomada com 10% de barbatimão (60 g de pomada base, 6 mL de extrato aquoso de barbatimão). Os animais foram tratados diariamente com a pomada durante 7, 14 e 30 dias. A epitelização das feridas ficou completa aos 14 dias de pós-operatório e não houve a formação de pus.

Outra formulação de pomada contendo barbatimão a 3% foi testada por Minatel et al. (2010) para cicatrização de úlceras de decúbito em 27 pacientes apresentando um total de 51 úlceras, submetidos à avaliação clínica por seis meses. A pomada foi aplicada uma vez ao dia após a higienização da área lesada com soro fisiológico. Houve favorecimento da cicatrização em 100% das lesões, sendo que 70% levaram cerca de dois meses para cicatrizar, pois o tempo de cicatrização variou de acordo com o grau de profundidade e local da lesão.

USO COMO ANTISSÉPTICO E ANTIMICROBIANO

Ishida et al. (2006) confirmaram a ação antifúngica de extrato do barbatimão contra Candida albicans isoladas de secreção vaginal, em experimento em que subfração do barbatimão inibiu o desenvolvimento dos fatores de virulência do fungo. Souza et al. (2007) avaliaram a ação antisséptica do extrato e do sabonete frente aos micro-organismos Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis e Escherichia coli. No extrato seco observou-se ausência de crescimento bacteriano na concentração de 50 mg/mL para o S. aureus e de 75 mg/mL para S. epidermidis e E. coli.

Espíndola et al. (2008) avaliaram o potencial ação antifúngica do extrato de barbatimão extraído por maceração com diluição em hexano, na concentração de 20 mg/mL, frente à exposição aos micro-organismos Trichophyton rubrum e Candida albicans. Verificaram que o extrato induziu apenas inibição de T. rubrum, sendo ineficaz para inibição de C. albicans.

Ferreira et al. (2009) avaliou atividade antimicrobiana inibindo e crescimento microbiano em 10 cepas de S. aureus expostas ao extrato hidroalcóolico de barbatimão. Todas as cepas foram sensíveis ao extrato hidroalcóolico de barbatimão, sendo que a concentração de 1,56% foi considerada a faixa de Concentração Inibitória Mínima (CIM).

Depois de tantos trabalhos é impossível não atribuir ao extrato de barbatimão uma ação adstringente e antisséptica, além de ser usada em feridas ulcerosas contribuindo para cicatrização e com ação hemostática (diminuição de sangramento).

O Barbatimão pomada é um produto desenvolvido pela Univittá/Pharmacêutica que além de conter 15% de barbatimão vem enriquecido com citronela que age repelindo as moscas. Uma ação eficiente em ferimentos graves e leves, que necessitam de rápida cicatrização. 

 O extrato de barbatimão é registrado na ANVISA no Formulário de Fitoterápicos Farmacopéia Brasileira.
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