Blog da Univittá

SEGREDOS PARA SEU CAVALO NAO SENTIR DOR

SEGREDOS PARA SEU CAVALO NAO SENTIR DOR
ARMAS PARA O MÉDICO VETERINÁRIO CONTRA A DOR

A dor é um tema milenar na medicina, desde os primórdios ela é um desafio aos Médicos humanos e Veterinários, mas nunca foi tão estudada quanto nas últimas duas décadas. Sabendo da evidente importância do assunto, este resumido artigo, tem por objetivo descrever os principais fármacos utilizados no controle de dor em animais.

2.5 Principais fármacos utilizados no controle dor
2.5.1 Opioides/Opiáceos

Na rotina das cirurgias ortopédicas os opioides são comumente utilizados para o tratamento de dores moderadas ou intensas, em geral de origem aguda, como fraturas e lesões de tecidos moles (EKMAN; KOMAN, 2004). Essa classe de fármacos ainda pode ser associada a analgésicos e anti-inflamatórios, condição que possibilita a redução da dose de opioides e ação aditiva, visto que, cada princípio ativo tem mecanismo de ação diferente.
Os receptores (μ) causam inibição da atividade da adenil-ciclase, resultando em analgesia por promover hiperpolarização, bloqueio da deflagração do potencial de ação e inibição pré-sináptica da liberação de neurotransmissores pelas células nervosas (HARDMAN; LIMBIRD, 2003). A sua utilização no tratamento da dor crônica é favorecida por ser um fármaco eficaz e com efeitos analgésicos prolongados quando administrado pela via oral (LIAO et al. 2005).

2.5.1.1 Morfina
A morfina é um agonista dos receptores µ e k, e a ativação desses receptores resulta em analgesia. Os agonistas semelhantes à morfina medeiam seus efeitos através dos receptores opioides µ para causar alívio da dor, sedação, euforia e depressão respiratória (OTERO, 2005; FANTONI, 2012).
O início da analgesia induzida pela morfina após a administração intravenosa é relativamente lento (6-30 min), em parte devido à sua limitada lipossolubilidade e à sua lenta taxa de penetração através da barreira hematoencefálica. Além disso, a morfina sofre um significativo metabolismo de primeira passagem; assim, as doses orais devem ser seis vezes maiores que as doses parenterais para atingir o mesmo grau de analgesia (VISSER, SCHUG, 2006).
Apesar da depuração plasmática em cães ser rápida, cerca de 1 a 2 horas, seus efeitos podem perdurar em virtude da lenta eliminação deste fármaco no líquido cefalorraquidiano (LCR), prolongando o intervalo posológico em torno de 4 horas (OTERO, 2005).

2.5.1.2 Metadona
A metadona é um opioide que foi recentemente introduzido na rotina da medicina veterinária, e seus efeitos analgésicos têm sido de grande interesse. Estudos clínicos investigaram o uso da metadona, mostrando resultados positivos ao avaliar sua eficácia analgésica no pós-cirúrgico de cães submetidos a intervenções ortopédicas (CARDOZO et al. 2014). Hunt et al. (2013) compararam pré-medicação com acepromazina em combinação com buprenorfina (0,02 mg/kg) ou metadona (0,5 mg/kg) em analgesia pós-operatória em cães submetidos a cirurgia ortopédica. A metadona produziu analgesia superior por oito horas no pós-operatório do que a buprenorfina.
Amengual et al. (2017) demonstraram que os escores de dor, avaliados pela escala de dor de Glasgow, não diferiram após a cirurgia da coluna vertebral em cães com infusão de fentanil ou administração intermitente de metadona em bolus.

2.5.1.3 Fentanil
O fentanil em cães tem sido alvo de numerosos estudos recentes de analgesia pós cirúrgicas (LAFUENTE et al. 2005). Williamson et al. (2017) estudaram o efeito da dose baixa e alta de fentanil no MAC. A administração de uma dose baixa (33 μg/kg e 0,2 μg/kg/min) resultou em uma redução média de 42,3 ± 9,4% e uma “dose alta” (102 μg/kg, 0,8 μg/kg/min) uma redução de MAC de 76,9 ± 7,4%.
O efeito poupador anestésico do fentanil também foi avaliado por Suarez et al. (2017) que demonstraram uma redução média de MAC na dose de ataque (15 μg/kg) em infusão constante, 6 μg/kg/h) de 39%.
Ao comparar os efeitos respiratórios do fentanil ou metadona intravenosa em cães após cirurgia da coluna vertebral, nem a infusão de taxa constante de fentanil (5 μg/kg/h) ou bolus de metadona (0,2 mg/kg, a cada 4 h) causaram depressão respiratória (AMENGUAL et al. 2017).

2.5.1.4 Tramadol
O tramadol é classificado como um opioide sintético, embora seu mecanismo de ação não esteja limitado à ligação aos receptores opioides mu. Em cães, a meia-vida do tramadol é de 1,7 h, sendo menor do que em humanos, fazendo com que um curto período de dosagem atinja concentrações plasmáticas que podem ser consistentes com a eficácia analgésica (KUKANICH, PAPICH, 2004).
Vários estudos farmacocinéticos em cães demonstraram níveis plasmáticos M1 abaixo dos quais a analgesia é reconhecida em humanos (PEREZ JIMENEZ et al. 2016).

2.5.2 Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
Os AINEs incluem os inibidores de Cicloxigenase (COX-2), envolvido na formação de prostaglandinas, incluindo PGE 2, que intensificam a sensação de dor periférica, diminuindo o potencial limiar de neurónios aferentes e através da inibição da ação de glicina na medula espinhal (MONTEIRO-STEAGALL et al. 2013). O mecanismo de ação dos AINEs é explicado pela prevenção da formação de PGE2 através da inibição da COX-2. Inibidores seletivos da COX-2 poupam a formação de prostaglandinas gástricas (que é dependente da COX-1), enquanto atuam como potentes agentes anti-inflamatórios e analgésicos. Inibidores não-específicos de COX, além de seus efeitos analgésicos, inibem essa formação de muco e podem causar ulceração gástrica (HUNT et al. 2015).
Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) permanecem na vanguarda do tratamento da dor aguda. Seu uso, função e segurança são estudados por diversos autores (KUKANICH et al. 2012, MONTEIRO-STEAGALL et al. 2013). Há uma riqueza de informações sobre a segurança do uso prolongado de AINEs (DENEUCHE  et al. 2004; HUNT et al. 2015).
Deneuche et al (2004) em experimento com cães submetidos a cirurgias ortopédicas em que os animais foram separados em 2 grupos: 30 cães receberam 0,2 mg/kg de meloxicam por via intravenosa (IV) imediatamente antes da indução e 30 cães receberam 2 mg/kg de cetoprofeno (IV), 30 minutos antes do final da cirurgia, os resultados foram comparados entre os dois grupos para diferenças significativas nos escores para a sensibilidade dolorosa pós cirúrgica. Não foram encontradas diferenças significativas na resposta à dor ou na coagulação entre cães tratados com meloxicam e cetoprofeno. Em ambos os grupos, as concentrações de fosfatase alcalina e alanina aminotransferase aumentaram significativamente em comparação com o valor basal. Nenhuma complicação séria ocorreu, desta forma, o estudo concluiu a administração pré-operatória de meloxicam é um método seguro e eficaz de controlar a dor pós-operatória por até 24 horas em cães submetidos à cirurgia ortopédica.

2.5.3 Agonistas α 2 adrenérgicos
Agonistas α 2 incluem medetomidina, que é amplamente utilizado em medicina veterinária (MATHEWS, 2000). A ligação de catecolaminas a receptores do tipo α 2 tanto hiperpolariza neurônios de projeção espinhal quanto inibe a liberação de neurotransmissores de neurônios aferentes de dor primária pequena. A combinação de um adrenérgico agente com um α agonista provoca dor, enquanto um agente adrenérgico em combinação com um α 2 receptor inibe a dor (LAMONT, 2008).

2.5.4 Antagonistas do receptor de N-metil-D- aspartato
A cetamina tem sido usada em doses sub-anestésicas no tratamento da dor. Bloqueando o receptor NMDA e os efeitos do glutamato, um neurotransmissor excitatório. A cetamina e a amantadina são eficazes na neutralização da hiperalgesia após a retirada da terapia com péptidos opioides (LASCELLES et al. 2008). Amantadina pode ser útil como terapia adjunta no tratamento clínico da osteoartrite em cães (KUKANICH, 2012).
Considera-se fármacos com especialidades antagonistas do receptor NMDA a tiletamina, o oxido nitroso e opioides como a metadona e meperidina (DEWEY, COSTA, 2016).

2.5.5 Bloqueadores dos canais de sódio
Bloqueadores dos canais de sódio, como a lidocaína, quando administrados sistemicamente em doses que não causam anestesia ou redução da condução cardíaca, mostraram-se eficazes no tratamento da dor neuropática através do efeito bloqueador nos receptores NMDA no corno dorsal de a medula espinhal (MATHEWS, 2008).
Como anestésico local, a lidocaína bloqueia todos os canais de sódio dependentes de voltagem do interior da membrana do neurônio, tornando-os indiferentes aos estímulos (DEWEY, COSTA, 2016).

2.5.6 Anticonvulsivantes
Além do tratamento da epilepsia a gabapentina demonstra propriedades no tratamento da dor. Embora quimicamente similar ao GABA, a gabapentina não age como agonistas desse neurotransmissor inibitório endógeno. Os mecanismos de ação da gabapentina não são conhecidos, mas podem incluir: ligação a canais de cálcio dependentes de voltagem, inibição do influxo de cálcio e, portanto, despolarização, ou inibição pré-sináptica da liberação de glutamato (HUNT, 2015).
 
Conclusão:
 
Embora estes fármacos descritos sejam relativamente conhecidos no controle de dor em animais por Anestesiologistas Veterinários, há ainda profissionais que desconhecem estes fármacos e suas aplicações. Sendo assim é de estrema relevância o assunto e nos deixa uma grande oportunidade para informação e estudo.
Saiba onde comprar produtos Univittá:
Encontre o revendedor mais próximo.
Compartilhe este post:

Postado Por: Allan Rômulo

Allan Rômulo
Medico Veterinário, empresário fundador da Univittá Saúde Animal, pós graduado em administração de empresas pela FGV. Formulador e desenvolvedor de tecnologias para nutrição animal, com experiência em marketing veterinário e venda de produtos de conceito.

Leia Também:

Gostou deste post? Deixe seu comentário