Habronemose Equina

Habronemose Equina

Habronemose é uma doença causada pelo parasita nematódeo gástrico Habronema sp., mas que também pode apresentar a doença de forma cutânea e/ou pulmonar. É muito frequente no Brasil e pode acometer equídeos de todas as idades interferindo na saúde e reduzindo o desenvolvimento, desempenho atlético e a rotina de trabalho dos animais. Uma enfermidade sazonal, pois a umidade influencia na proliferação dos insetos, o que quer dizer que em períodos quentes aumenta densidade da população de moscas.

No ciclo biológico o parasita é ingerido e segue para o seu local de tropismo, o estômago onde ele termina seu desenvolvimento e atinge sua maturidade sexual. As fêmeas fazem a ovipostura de ovos embrionados que eclodem no intestino e as larvas são excretadas junto com as fezes do animal. A mosca doméstica (mosca domestica) e a do estábulo (Stomoxys Calcitrans) quando ainda são larvas ingerem o parasita também em sua fase larval e ambos se desenvolvem juntos. As moscas são os hospedeiros intermediários porque o parasita sofre uma mudança larval (ecdise) dentro delas.

Etiologia

Os cavalos podem ingerir moscas mortas dentro de cochos de água e alimentos, desencadeando a habronemose gástrica, em que os parasitas invadem as glândulas gástricas se aderem à mucosa do estômago, o que pode irrita-la e estimular a hipersecreção de muco levando a uma gastrite catarral crônica, além de ser um fator predisponente para úlceras gástricas quando associado a outros fatores como estresse, mudança brusca de manejo e dieta.

A forma cutânea é a de principal importância, e que também é conhecida como “ferida de verão” por causa do aumento da proliferação dos vetores durante a época. Ocorre quando as moscas depositam as larvas em feridas que já estavam abertas ou regiões úmidas e em que os animais não conseguem se proteger como membros, parte ventral do tronco, comissura labial, prepúcio e jarretes que pode tirar o animal da reprodução e no canto medial do olho que pode causar uma conjuntivite e lesionar. O parasita invade o tecido e não consegue concluir o seu ciclo, causando assim uma lesão granulomatosa que causa uma reação inflamatória ativa e de hipersensibilidade que interfere na cicatrização.

Ainda pode acontecer de a mosca depositar larvas nas narinas, sendo semelhante a lesão da forma cutânea, mas se diferenciam nos sinais clínicos em que os animais apresentam.  O parasita ainda pode migrar através de outros órgãos para o pulmão causando abcessos. A mosca tem um alto poder infectante porque cada inseto pode abrigar de 10 a 40 larvas, quantidade suficiente para causar uma infecção. A umidade influencia na proliferação dos insetos, períodos quentes reduz a densidade das moscas. A intensidade da doença será caracterizada pela carga parasitária que o animal apresenta.

Sinais Clínicos

Os sinais clínicos dependem da forma que o animal teve o contato com o parasita. Na conjuntivite o animal apresenta lacrimejamento, coloração avermelhada da córnea e inchaço facial. Na cutânea o animal apresenta queda no rendimento, irritação tecidual com proliferação de tecido de granulação, formação de pápulas que pode se transformar em nódulos e evoluir para úlceras.

 No caso do trato respiratório os sinais clínicos variam de acordo com a localização da lesão no trato respiratório, mas o animal pode apresentar corrimento nasal, dispneia, intolerância à exercícios, cianose e ruídos respiratórios.  No caso gástrico o animal pode ter anorexia, perda de peso, alteração de pelagem, queda no vigor e síndrome cólica leve ou moderada.

Diagnóstico

Os achados clínicos, junto com o histórico de vermifugação mais um exame que vai variar de acordo com a forma da doença. Para habronemose cutânea o diagnóstico pode ser feito através de um raspado onde é possível a identificação do verme, ou uma biópsia da lesão. No exame histopatológico é encontrado um infiltrado esosinofílico, monocitose, dermatite granulomatosa ulcerativa com múltiplos focos de necrose.

Histopatológico tem uma sedação prévia e uma anestesia local para biópsia do tecido desde a periferia da lesão granulomatosa com um punch. As características histológicas consistem em um infiltrado eosinofílico dermatite e necrose de coagulação podendo ser encontrado ou não a larva ou fragmentos dela, dependendo do tempo da lesão.

Na gástrica pode ser feito o xenodiagnóstico que é o diagnóstico definitivo, consiste na pesquisa de larvas em moscas criadas com fezes de animais suspeitos. A detecção dos ovos e do parasito por meio de uma lavagem gástrica, é um método com pouca praticidade e eficiência, considerado invasivo e arriscado porque requer sedação e contenção.

 A PCR (reação em cadeia da polimerase) das fezes é um método com sensibilidade apurada, de alta especificidade porque identifica o parasita em qualquer fase, sendo adultos ou imaturos com isso é possível proporciona o início da terapia precocemente. O coproparasitológico pelo método de flutuação, e o OPG (contagem de ovos por grama), são métodos raros de encontrar a presença do parasita. A gastroscopia é uma técnica fácil e eficiente, onde é possível a visualização e identificação do parasita.

Tratamento

O tratamento tem a finalidade de reduzir o tamanho das lesões, diminuir a inflamação e evitar uma reinfecção. A terapia é de acordo com os sinais clínicos que o animal apresenta, podendo ser usado anti-inflamatórios e corticosteroides.

O principal em todos os casos é o antiparasitário, para combater os vermes.  No caso da cutânea que geralmente a lesão não se cicatriza por causa do processo inflamatório ativo, pode ser indicado nesse caso um procedimento cirúrgico.

O tratamento cirúrgico é feito através da ressecção do tecido de granulação indicado em casos em que a feridas que não responderam aos tratamentos conservadores que não cicatrizam em casos de nódulos calcificados e que causem comprometimento funcional da região e transtornos estéticos.

Prevenção e Controle

É de extrema importância a limpeza das baias e pastos, dando um destino adequado as fezes dos animais e de matéria orgânica em decomposição, pois elas atraem as moscas que são os vetores da doença.  Como prevenção é necessário que a vermifugação do animal esteja em dia. Se o animal apresenta uma ferida é importante adicionar um repelente ao redor e ter o controle de moscas na propriedade com uso de inseticidas, máquinas com lâmpadas de luz atrativas, pode ser adicionada telas nas portas das baias.

Barbatimão é uma pomada feita através da planta de tronco tortuoso e casca rugosa espessa e de cor clara. Uma planta medicinal abundante em tanino que tem três propriedades responsáveis pela maior parte das atividades farmacológicas. O barbatimão induz maior resposta inflamatória, o que favorece maior desenvolvimento de granulação contribuindo para a reepitalização da área, mas que pode variar de acordo com o grau e localização da lesão. Barbatimão tem função antisséptica, antimicrobiana e hemostática diminuindo sangramento.

ENDOGASTRIN um suplemento mineral vitamínico que neutraliza a acidez gástrica para alívio de desconforto digestivo, da constipação intestinal, tem ação antiflatulenta. É enriquecido com aditivo pre e probiótico que auxiliam na digestibilidade, no fluxo gastrointestinal e na neutralização do pH intestinal que beneficia a proliferação de bactérias celulóticas que garantem digestibilidade de fibra no capim.

 

Fontes

NASCIMENTO, Ana, G. C. R. N.; Ocorrência de nematóides em equídeos no norte tocantinese, meio norte brasileiro. Aragíana – TO. 2008.

BELLI, Carla. B; SILVA, Luís. C. L. C.; FERNANDES, Wilson. R.; Aspectos endoscópicos da habronemose gástrica equina. Rev. Educ. Contin. CRMV-SP, São Paulo, v. 8, n. I, p. 13-18,2005.

MURO, Luís. F. F; BOTTURA, Carlos. R. P. CARVALHO, Talita. D., et al. Habronemose Cutânea. Revista científica eletrônica de medicina veterinária – ISSN:1679 – 7353. Ano VI – Número 11 – Julho de 2008 – Periódico Semestral.

 

FREITAS, Fernanda. C.; MORAES, Angélica. T. B.; VALENTE, Paula. P.; et al. Habronemose nasal em uma égua. Nucleus Animalium, V. 3, N.1, maio. 2011.

 

MALDONADO, Alison.; Habronemose Cutânea. Disponível em:< http://cirurgiadeequinos.com.br/habronemose-cutanea/>. Fevereiro 10, 2015. Acesso em 10/07/2020.

 

BRITO, Luciana, G.; OLIVEIRA, Márcia, C. S.; GIGLIORI, Rodrigo.; et al. Manual de identificação, importância e manutenção de colônias estoque de dípteras de interesse veterinário em laboratório. Porto Velho – RP. 2008. Disponível em:< https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/709719/1/doc125dipteras.pdf>. Acesso em: 10/07/2020.

 

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