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Práticas de manejo que pode prevenir a cólica nos equinos

Práticas de manejo que pode prevenir a cólica nos equinos
CÓLICA - OBSTÁCULOS NA ADOÇÃO DE PRÁTICAS DE MENOR RISCO

Síndrome Cólica ou abdômen agudo é um conjunto de sintomas e sinais clínicos que juntamente associados à história clínica do animal refletem aspectos fisiológicos no trato gastrointestinal que evidenciam o desconforto abdominal (HINCHCLIFF et al, 2002). As cólicas são resultantes de doenças do aparelho digestivo ou de outros órgãos da cavidade abdominal (CICCO, 2007). Ela pode estar relacionada a vários fatores, que vão desde a produção excessiva de gás no estômago, resultado da fermentação dos alimentos, até a obstrução ou torção do intestino, o que requer a intervenção cirúrgica, e com ou sem estrangulamento vascular (White II, 1987). É uma das maiores causas de óbito na espécie eqüina (Thomassian, 1990).
A alimentação natural do cavalo sempre se constituiu de forragens nativas, sendo suficiente para manter as suas condições físicas quando são de boa qualidade. O homem mudou e tem mudado o hábito de vida dos eqüinos, durante o processo de domesticação, obrigando-o a uma adaptação alimentar a níveis drásticos para a capacidade funcional de seu sistema digestivo (RESENDE, 2003). Segundo OTT (1992) há algum tempo, alimentos concentrados, feno de gramíneas e leguminosas foram incorporados à alimentação desses animais, devido ao aumento dos requerimentos para energia, pois nesses casos, o volumoso não supre essas necessidades.
Os cavalos que vivem em seu habitat natural, a cólica é rara, pois eles comem pequenas quantidades de alimento e percorrem grandes distâncias durante todo o dia. “A domesticação modifica esses hábitos, pois o cavalo passa a caminhar pouco e a ficar longos períodos em jejum, para depois se alimentar com ansiedade e compulsão. A maioria dos casos de cólica tem origem na alimentação irregular ” (GENOUD et al., 2001). Eqüinos selvagens pastam 60% do tempo e os estabulados comem somente 15% do tempo, isto demonstra um grave desvio na fisiologia do eqüino estabulado, com isso muitas vezes o tempo é ocupado com atividades indesejáveis como, por exemplo, mastigar madeira das baias, podendo levar a um quadro de cólica. Segundo Pagan (1996), eqüinos necessitam de certo volume de alimento para sustentar a função digestiva normal e, ao privá-los de alimentos volumosos, as curvaturas do intestino ficam propensas a torções e cólicas.
Goloubeff (1993), Carter (1987) e Hillyer et al. (2002) citaram os fatores estressantes como: a diminuição ou variações no nível de atividade física, alterações súbitas na dieta, alterações nas condições de estabulação, alimentação rica em concentrados, volumoso ou ração de má qualidade, consumo excessivamente rápido da ração, baixa ingestão de volumoso, privação de água e transporte, tendem a induzir a possibilidade do surgimento de cólica. Os fatores estressantes como a permanência em condições de explicita privação de liberdade, produzem desconforto, sofrimento e dor.
 
Segundo Thomassian, 2005 e Hinchcliff et al. (2002) a prevenção dos episódios de cólica depende dos fatores de manejo que consistem em:
 
01. Alimentação - tipo, qualidade, quantidade, freqüência e mudanças. Todo tipo de alteração alimentar é a causa isolada mais comum de cólicas;
 
02. Dentes – mudas, pontas dentárias, arrasamento, má oclusão, cáries. Alterações patológicas dos dentes podem predispor à cólica, devido à deficiência da mastigação e conseqüentes alterações digestivas;

03. Ingestão de água - à vontade ou não, qualidade, quantidade e temperatura. Principalmente a falta d'água, mas também o fornecimento concentrado dela em determinados horários, bem como a água fria demais, além da água contaminada ou poluída, podem causar cólicas;

04. Indigestão de areia ('sablose') - geralmente secundária a alterações no trânsito intestinal, ingestão acidental de areia na água ou no pasto;

05. Vasos mesentéricos - lesões verminóticas. Especialmente em potros, as verminoses são responsáveis por parte das afecções de cólica, obstruindo o intestino ou os vasos sangüíneos, que o alimentam; 

06. Gastropatias - gastrites, úlceras e parasitas. Tal como no ser humano, gastrites e úlceras podem se originar devido ao uso excessivo de medicamentos, ou na predisposição individual; 

07. Causas secundárias a processos dolorosos fora do trato gastrointestinal (rins e fígado); 

08. Abortamentos, parto prematuro e torções uterinas;

09. Hemoparasitoses (babesiose) - As toxinas produzidas pelas patologias dos itens 7, 8 e 9 podem acabar levando à cólica, devido às alterações metabólicas por elas causadas;

10. Componente doloroso retal - proctites e lacerações. Alterações do intestino grosso podem levar à cólica através das cãibras e espasmos produzidos por estas lesões; 

11. Iatrogênese (indevidamente causadas pelo profissional veterinário) Algumas drogas parassimpaticomiméticas, dadas em excesso ou em momento incorreto, podem provocar sintomas de cólica; 

12. Presença de enterólitos - relacionados ao tipo de alimentação. O acúmulo solidificado de restos alimentares, às vezes estimulados por um irritante mecânico, pode gerar as "pedras intestinais", que acabam causando, mecanicamente, sintomas de cólica, relacionados a seu peso ou à obstrução intestinal que provocam; 

O intestino do cavalo é anatomicamente predisposto aos deslocamentos (Hackett, 1987; Snyder & Spier, 1990). O fornecimento abundante de volumoso de qualidade (capim cortado, fenos, boa pastagem) é essencial para o funcionamento normal do aparelho digestivo do eqüino, e, portanto para evitar o surgimento de cólicas. O volumoso é sempre mais importante do que o concentrado.
Quando é fornecida uma grande quantidade de concentrado antes da forragem, o animal pode consumir rapidamente e ter reduzido o seu apetite pela forragem. Assim, o animal pode desperdiçar o feno fornecido posteriormente, inclusive misturando-o com a cama da baia. Neste caso o animal deixará de consumir os nutrientes contidos no feno. Além disso, o consumo rápido e em grande quantidade, de algum concentrado (rações, grãos de cereais), aumenta a possibilidade de ocorrer algum distúrbio digestivo.

ENTERÓLITO

São estruturas geralmente esféricas, formadas por deposição de minerais, tendo como centro de deposição fragmentos de metais, pequenas pedras ou pedregulhos e aglomerados de plantas extremamente fibrosas. O mineral que predomina na composição dos enterólitos é o fosfato de magnésio, amônia e sílica, e deverá estar em alta concentração no intestino do cavalo, associada à baixa absorção entérica e a um certo grau de hipotonia do intestino, para que se inicie a formação da concreção (Thomassian, 2005).
Quando se alojam no cólon maior raramente provocam sintoma clinico, porém quando se alojam no cólon transverso ou no cólon menor podem desencadear manifestações de desconforto abdominal agudo, devido a obstrução e à distensão da alça intestinal (Thomassian, 2005).

FISIOLOGIA

Cavalos são animais monogástricos, o trato digestório dos eqüinos é dividido em boca, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Cada segmento desempenha funções específicas na digestão e absorção dos nutrientes, com destaque para os intestinos delgado e grosso nesse processo.
A duração da mastigação depende da natureza do alimento, ou seja, demoram cerca de 10 minutos para mastigar 1 kg de aveia ou ração peletizada, enquanto demoram 40 minutos para mastigar 1 kg de feno, produzindo diariamente de 10 a 50 litros de saliva, de acordo com a dieta (MEYER, 1995).
A ingestão de alimentos pelos eqüinos ocorre em pequenas quantidades e a taxa de passagem no estômago é de 1 a 5 horas (MEYER, 1995). Segundo WEYNBERG et al. (2006), a passagem pelo estômago e intestino delgado é rápida, de 5 horas em média, considerando que o maior tempo de retenção é registrado no ceco e cólon, de 35 horas, em média.
Os eqüinos possuem um estômago relativamente pequeno para seu porte (capacidade de 15 a 18 litros) localizado no lado esquerdo da cavidade abdominal. O primeiro fator preponderante para o aparecimento da síndrome cólica refere-se à junção esôfago-gastrica dos eqüinos. Nesta junção existe uma válvula denominada de cárdia, que diferente de outros mamíferos, pois funciona no sistema 1-way valve, ou seja, permite a passagem de gases e fluidos do esôfago para o estômago, mas não ao contrário (TALBOT, 2007).
O processo digestivo inicia quando o animal coloca o alimento na boca, através de pequenas quantidades de enzimas liberadas, contidas na saliva. O alimento passa para o estômago e intestino delgado onde ocorre a maior liberação de enzimas para a digestão e a maior parte da absorção, havendo ainda, pouca absorção no intestino grosso (IG - ceco, cólon e reto).
O intestino delgado é composto pelo duodeno, jejuno e o íleo. O duodeno está posicionado nos eqüídeos dorsalmente no lado direito. Devido a este posicionamento o duodeno não se relaciona com uma estrutura anatômica de sustentação das alças intestinais denominada de mesentério ou volvulus.
O jejuno representa a porção medial do intestino delgado e detém grande parte deste, com mais de 17 metros de comprimento em um eqüino adulto. Esta estrutura é anatomicamente posicionada pelo mesentério em sua face ventral. No final do intestino delgado encontra-se o íleo. Do íleo o bolo alimentar passa para o ceco pela junção íleo-cecal (CUNHA, 1991).
O eqüino não possui vesícula biliar, mas a secreção da bile e do suco pancreático é continua e o tempo de transito no intestino delgado é bastante rápido e a maior parte da digestão tem taxa perto de 30 cm/min (WEYNBERG et al., 2006).
O intestino grosso dos eqüinos é muito desenvolvido, e seu volume representa 60 % do volume total do trato digestório, dividindo-se em ceco, cólon e reto, sendo o cólon subdividido em cólon ventral direito e esquerdo, cólon dorsal direito e esquerdo, e cólon distal (MEYER, 1995). Neste compartimento ocorre a maior parte da fermentação microbiana e tem função semelhante ao rúmen (TISSERAND, 1988).
O ceco é uma estrutura grande com função fermentativa. Esta porção intestinal situa-se primariamente no lado direito. O ceco possui 1,2 a 1,5 metros de comprimento com capacidade de 27 a 30 litros de alimento, flúidos e gases. 
Sobre efeito da musculatura cecal o bolo alimentar ali presente é misturado com os microorganismos capazes de digerir a celulose - carboidrato presente em grande quantidade no volumoso consumido pelo animal. 
Como a entrada e saída do ceco são muito próximas, isso cria certa dificuldade no trânsito dos alimentos, em vias opostas. Assim sendo, o ceco é potencialmente um local para a ocorrência de cólicas quando a alimentação é trocada bruscamente, principalmente de uma dieta de baixa qualidade para uma de maior digestibilidade. Com alimentos mais digestíveis entrando no ceco, há um aumento da população microbiana e um aumento da taxa de fermentação. A parte mais grosseira da dieta irá causar uma relativa oclusão da saída e entrada do ceco o que poderá resultar no acúmulo de gás levando a cólica.
Portanto muita atenção deve ser dada à mudança de dieta, que deve ser lenta (entre 1 e 2 semanas). Outro aspecto importante é o consumo de alimentos, que pode diminuir à medida que se aumenta a quantidade de concentrado (ração) na dieta, principalmente quando se incorpora uma porção extra de concentrado previamente a algum evento (provas, exposições).
Do ceco o material fermentado segue para o cólon. O ceco e o cólon representam as últimas frações absortivas do trato gastrintestinal (MEYER et al., 1985). Goloubeff (1993) relacionou as características da anatomia digestiva do cavalo, como a incapacidade de vomitar, um mesentério muito desenvolvido que predispõe o longo intestino delgado às ectopias e vôlvulos, o grande diâmetro do cólon maior e suas curvaturas que são favoráveis as impactações.
Do tempo total de trânsito (35-50 horas), cerca de 85% são gastos no intestino grosso (MEYER, 1995; EVANS, 1998), (tabela 1).


A forma anatômica e a motilidade do ceco e do cólon dos eqüinos favorece o maior tempo de retenção do alimento, em relação aos outros compartimentos do trato gastrintestinal, o que possibilita a ação dos microrganismos na digestão dos constituintes da parede celular das forragens. Assim, a utilização dos nutrientes da parede celular das forragens, pelos microrganismos do ceco e cólon, depende do tempo de permanência da digesta nestes compartimentos. No entanto, o tempo de permanência do alimento nos diversos segmentos do trato digestório do cavalo depende de vários fatores, tais como: a individualidade, o tipo de atividade física e a natureza da dieta (MEYER, 1995).
A capacidade dos diferentes segmentos do trato gastrintestinal, a taxa de passagem da digesta, a concentração dos nutrientes do intestino e, principalmente, as necessidades energéticas são os fatores mais expressivos que explicam a regulação do consumo de matéria seca dos eqüinos. Sendo assim, sabe se que o consumo e consequentemente o fluxo da digesta no tubo digestivo dos animais é influenciado por vários fatores, como temperatura ambiente, ingredientes da dieta, tamanho da partícula, freqüência de alimentação e teor de fibra da ração (MEYER, 1995).
A fibra, além de ser importante para manutenção da população de microrganismos desejáveis no intestino grosso, proporciona aos eqüinos o efeito psicológico da saciedade e produção de β - endorfinas durante os movimentos de mastigação. A fermentação das fibras pelos microrganismos intestinais produz energia e previne a proliferação de outras bactérias, potencialmente patogênicas (FRAPE, 1992).
  A consistência das fezes do cavalo, é o principal indicador da saúde digestível do animal, está diretamente ligada ao teor de fibra na alimentação. Capins muito novos, recém rebrotados ou plantados, normalmente provocam quadros de diarréias leves devido aos baixos teores de fibra em sua composição. O mesmo ocorre com uma alimentação muito rica em concentrado (rações, milho, trigo superior a 50 % da dieta total), onde as fezes ficam semelhantes às de vaca, pastosas, sem consistência firme, indicando um baixo aproveitamento dos alimentos. Por outro lado, volumosos muito secos também podem causar quadros de desconforto digestivo devido a uma aceleração exagerada do peristaltismo, devido ao elevadíssimo teor de fibras indigestíveis na dieta. Uma boa consistência de fezes, nem pastosas nem ressecadas, indica que o alimento ficou tempo suficiente no aparelho digestivo para ter seus nutrientes aproveitados ao máximo pelo animal. 

EXIGÊNCIA 

As exigências nutricionais dos eqüinos são compostas por dois fatores: as exigências de mantença e das atividades físicas. Essas exigências são aditivas e ambas devem ser preenchidas com o objetivo do animal manter o peso, condição corporal e boa saúde. Assim como em animais de produção, o desbalanço entre nutrientes pode levar a um baixo desempenho.
Os eqüinos apresentam anatomia e fisiologia digestiva adaptada para se alimentarem exclusivamente de forragens (herbívoros). Qualquer programa de alimentação que negligencie os níveis de fibra na dieta pode ter conseqüências indesejáveis sobre a fisiologia digestiva destes animais (PAGAN, 1996). O consumo diário e as exigências nutricionais podem variar muito de acordo com a idade, sexo, raça, época do ano, produção e condição de esforço físico variando de acordo com o teor de matéria seca dos alimentos. O corpo do eqüino consiste de aproximadamente 60 a 65% de água; 30 a 35% de proteínas, gorduras e carboidratos; e 4% de minerais (PAGAN, 1999).
O alimento concentrado deverá sempre ser fornecido diariamente em quantidades previamente calculadas de acordo com o peso vivo do animal, juntamente com um volumoso de boa qualidade. O consumo deste material deverá ser ajustado pela sua  qualidade, condição corporal do animal e do trabalho ao qual o cavalo é submetido. O total diário deverá ser dividido em 2 a 3 tratos diários (ADOLFO, 1989). Cunha (1991) afirma que certa quantidade de fibras é necessária na dieta dos animais, mas a quantidade exata ainda não foi precisamente determinada, em razão das várias condições e dos estágios do ciclo de vida dos eqüinos. De acordo com esse autor, a necessidade mínima de ingestão de forragem é de 25 a 50% da dieta total, com base na matéria seca. A quantidade máxima sugerida de um concentrado rico em amido que deve ser fornecida em uma única refeição a um animal adulto (com 450 kg ou mais) é de 1,6 a 2,0 kg.
Quando os animais são alimentados com feno de alfafa (leguminosa rica em proteína), pode-se sugerir uma ração (concentrado) com um menor teor de proteína bruta. Já se a forragem for um feno de gramínea (Tifton, Coast-Cross - que possuem menores teores de proteína) pode-se sugerir uma ração (concentrado) com um teor maior de proteína bruta (ROWE et al., 2001).
KLINE (1996) descobriu que as enzimas responsáveis por digerir o amido, a principal fonte de energia dos grãos, estão limitadas ao intestino delgado do animal. Portanto, se o cavalo comer grãos em excesso, estas enzimas serão sobrecarregadas e permitirão que os grãos passem para o ceco e depois para o intestino grosso do animal—os órgãos responsáveis somente por digerirem as fibras. Para digerir o amido, as colônias microbianas de ceco e do cólon passam a produzir altas dosagens de ácido lático que não somente matam as bactérias que digerem as fibras, mas causam também um desequilíbrio digestivo que provoca irritações na parede do intestino (inclusive úlceras) e interfere com a digestão das fibras.
Desta forma, a casca de soja possui um alto teor de fibra, sendo este altamente digestível por possuir baixo teor de amido, proporciona uma baixa taxa de fermentação e reduz os problemas de acidose nos animais, doença que pode levar ao aparecimento de outra doença a laminite. Apresenta, em sua composição, teor de PB ao redor de 11%, comparável aos fenos de gramíneas de elevada qualidade e ainda apresenta alta disponibilidade energética. Assim, a casca de soja surge como promissor alimento a ser utilizado na alimentação dos eqüinos, sendo utilizada na substituição total e parcial do milho e de fontes protéicas, assim como na subtituição de fontes de volumosos como fenos de alfafa e gramíneas devido sua característica bromatológica peculiar (CUNHA, 1991).

GORDURA

Potter, 1990 acredita que possa haver tido mais gordura na dieta natural do cavalo do que pensávamos. Na composição do leite de égua, a gordura chega a 20%, e os cavalos na natureza também se alimentam de sementes com alto índice de gordura. Eles não dependem de muita gordura, mas conseguem efetivamente digeri-la.
Potter, 1990 o intestino do cavalo é eficiente em digerir gordura do leite, que é composta de moléculas de glicerol e três ácidos graxos. Ao penetrar no intestino delgado, a gordura é dissolvida pela bile secretada pelo fígado e uma enzima chamada lipase pancreática “quebra” os ácidos graxos em correntes menores, que podem estar ligadas ou livres do componente glicerol. Cada um desses ácidos graxos tem uma cabeça solúvel em água e uma cauda solúvel em gordura; eles se unem na forma de esfera com as suas cabeças apontadas para fora, permitindo que eles escorreguem através do meio-ambiente aquoso do intestino delgado. A ação se assemelha a botar óleo em água fervente (HOFFMAN et al., 1998). Depois de passar pelo intestino delgado, os componentes gordurosos menores são absorvidos diretamente no sistema circulatório, enquanto as partículas maiores são transportadas através do sistema linfático antes de entrar na corrente sanguínea. A insulina ajuda a armazenar a gordura nas células adiposas encontradas em vários pontos do corpo; estas células armazenam a gordura até o momento em que o animal necessita dela para algum exercício prolongado ou período de fome. Os cavalos tendem a armazenar gordura principalmente em algumas partes do corpo, como o pescoço, sobre as costelas, ombros e na inserção da cauda (HOFFMAN et al., 1998).

CAVALO ATLETA

O cavalo atleta deve consumir uma quantidade total de alimentos variável, de acordo com seu peso e intensidade de trabalho - de 2% a 3% do seu peso vivo por dia. A elevada carga de trabalho do cavalo atleta utiliza grandes quantidades de energia e cria a necessidade de recuperação regularmente. Deve haver um balanço de energia, proteína, mineral e vitaminas. Deste total, metade deverá ser de alimentos concentrados, representados por rações balanceadas ou misturas de grãos de cereais e a outra metade deverá ser de volumosos, tomando como base o feno de gramínea (WRIGHT, 1999). 
Um cavalo de 500kg deve receber uma quantidade total de alimento de 10kg por dia. Deve-se fazer equilíbrio dos eletrólitos sendo este extremamente importante para o cavalo atleta. Adicionar vitamina E e selênio evita afecções do tecido muscular (miopatia). Administrar um bom suplemento probiótico pode ajudar a performance atlética e é recomendável durante longos períodos de viagem ou para cavalos propensos a cólica ou outros distúrbios gastrintestinais.
Os níveis de nutrientes dos alimentos precisam estar adequados, de forma que, nas quantidades fornecidas sejam capazes de atender as exigências nutritivas que os cavalos atletas precisam e que são as seguintes:


MANUTENÇÃO

Normalmente, uma hora de trabalho moderado eleva as exigências de mantença acima daquela que pode ser suprida somente por uma forragem de boa qualidade. A ingestão de matéria seca (alimento sem água) por dia por animal (500 kg), em manutenção deve ser no mínimo de 5 Kg.

ALIMENTAÇÃO EM GRUPO

Há uma hierarquia social entre os animais e esta é mais freqüentemente expressa de forma mais clara durante estes períodos de alimentação onde os animais mais dominantes podem perseguir os mais submissos mantendo-os longe do alimento. Nessas situações é comum encontrarmos os animais dominantes supercondicionados (gordos) e, se o alimento suplementar for concentrado poderá levar à ocorrência de cólica e laminite. 

CUIDADOS NA ALIMENTAÇÃO

Apesar do grande desenvolvimento observado na eqüinocultura brasileira, existem muitos erros que podem comprometer a performance do cavalo atleta e ainda induzir à ocorrência de cólica, como:
 
- adicionar outros ingredientes à ração balanceada, como os minerais (sal mineral), pois este altera o equilíbrio do produto;

- misturar no cocho alimento concentrado com alimento volumoso. 
 
- Não acrescentar ração nova nos cochos sobre sobra de alimentos da última refeição;

- Não usar suplementos vitamínicos, minerais, energizantes e "milk-shakes" sem receita médica;

- Não esquecer de manter o bebedouro sempre com água limpa, retirando-se restos de alimentos que o cavalo deixar cair no local quando toma água;
 
- Na hora de medir o alimento a ser fornecido aos cavalos, não confundir peso com volume;

- Não se deve dar à mesma quantidade de ração no dia de folga dos cavalos. O correto é reduzir a quantidade da ração, mantendo-se apenas a quantidade de volumoso;

ÁGUA

Um suprimento adequado de água é essencial para os equinos. O conteúdo de água corporal é relativamente constante (68 a 72% do peso do corpo desengordurado). Um dos principais fatores influenciando o consumo de água é o consumo de alimentos (2 a 3 litros de água para cada kg de matéria seca consumida). Dependendo do exercício praticado as exigências de água podem ser aumentadas entre 20 e 300% (LAWRENCE, 1996).

Nota Univittá

É inquestionável que o aumento da digestibilidade proporciona um melhor conforto intestinal e segurança pelo aumento da digestibilidade. Pensando nisso a Univittá lançou o Pro-SACC um aditivo funcional probiótico que aumenta significativamente a saúde intestinal e seu fluxo melhorando digestibilidade e prevenindo desconfortos gastrointestinais.

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Dr. Alexandre Augusto de Oliveira Gobesso
Prof Dr. Alexandre augusto de Oliveira Gobesso Médico Veterinário - Universidade Estadual de Londrina – 1988 Mestre em Medicina Veterinária/Nutrição Animal - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia /USP – 1997 - Doutor em Zootecnia/Produção Animal Fac. de Ciências Agrárias e Veterinárias/Unesp/Jaboticabal/SP – 2001 Livre Docente - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia /USP – 2009 Professor Responsável pela Disciplina: Produção de Equinos - Curso de Medicina Veterinária Professor e Orientador - Mestrado e Doutorado na Área de Nutrição e Produção Animal - Pesquisador Responsável - Laboratório de Pesquisa em Saúde Digestiva e Desempenho de Equinos - Departamento de Nutrição e Produção Animal - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia/USP - Campus de Pirassununga/SP

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